Ataque terrorista em área do Parlamento da Tunísia deixa 22 mortos

18 de março de 2015


Por O Globo

TUNISIA-POLITICS-UNREST-G1V24AVO1.1

Segundo mídia estatal, militantes islâmicos teriam sequestrado turistas em museu nas imediações e acabaram mortos

TÚNIS – Homens armados e vestidos como soldados atacaram a tiros as imediações do Parlamento tunisiano nesta quarta-feira. No Museu do Bardo, que fica nas imediações da Assembleia, dezenas de pessoas foram feitas reféns, mais de 20 ficaram feridas e pelo menos 22 morreram no ataque, a maioria composta de turistas estrangeiros, segundo o premier Habib Essid. Dois agressores foram mortos em uma operação após horas de sequestro, e outro foi detido. Outros três atiradores estariam à solta, segundo Essid. Países como Estados Unidos e França, além da ONU, condenaram o atentado que lembrou os ataques contra turistas ocorridos no Egito na década de 90.

A mídia local relatou que jihadistas portavam granadas e fuzis Kalashnikov. Segundo o premier Habib Essid, além de ao menos 17 turistas, morreram os dois atiradores, um agente de segurança e uma funcionária da limpeza.

Testemunhas contaram que a maior parte das mortes dos turistas aconteceram quando eles desembarcavam de ônibus na área do museu. Outros foram levados para dentro. Duas explosões foram ouvidas no momento em que momento em que uma operação tentava retirar reféns ainda no local.

– Foi um ataque covarde contra a nossa economia e um setor vital (o turismo) – disse o primeiro-ministro. – Devemos nos unir para defender o país.

Fotos foram divulgadas nas redes sociais mostrando turistas se escondendo ou feitos de reféns no museu. Havia cerca de 200 pessoas no local (entre elas cem italianos), e ao menos 22 feridos foram levados para hospitais. Algumas fontes falam em até 50 feridos.

Originalmente, foram reportadas oito mortes, mas a cifra subiu após comunicados do Ministério do Interior e do primeiro-ministro. Os próprios números oficiais variam entre 15 e 17 estrangeiros mortos.

As vítimas fatais estrangeiras são de Itália, Alemanha, Polônia e Espanha. Haveria também um britânico. A vítima tunisiana seria uma funcionária do museu.

Turistas durante ataque a museu nas imediações do Parlamento tunisiano – Reprodução

O Ministério do Interior afirmou que não tinha certeza das motivações por trás do ataque, mas especula-se que possa ter sido uma retaliação pela morte do jihadista Ahmed al-Rouissi, líder tunisiano da célula do grupo na Líbia.

Na hora do ataque, o ministro da Justiça e juízes estavam no Parlamento, segundo o deputado Sayida Ounissi. A sessão discutia justamente medidas contraterroristas. Um deputado afirmou à agência AFP que o trabalho foi interrompido após o barulho de tiros e que os paralmentares em sessão foram evacuados para o saguão do local. Outros relataram ter visto pessoas feridas.

Um dos mais populares centros culturais de Túnis, o Museu do Bardo é abrigado em um palácio do século XIX e é visitado diariamente por centenas de turistas estrangeiros. O local é conhecido por suas coleções de antiguidades.

  • Vítima é levada para emergênciaFoto: Hassene Dridi / AP

  • Esquadrão tático da polícia chega à região do Parlamento, onde extremistas atacaram museuFoto: FETHI BELAID / AFP

  • Área foi interditada enquanto policiais acreditavam que ataque ocorrera dentro do ParlamentoFoto: FETHI BELAID / AFP

  • O Museu é um dos lugares mais populares da capital, TúnisFoto: FETHI BELAID / AFP

  • Policais e funcionários de segurança coordenam operaçãoFoto: FETHI BELAID / AFP

  • Policial à paisana ameaça fotógrafo pedindo para que saia do localFoto: FETHI BELAID / AFP

  • Apos discutir com policiais, homem que se aproximava do local é rechaçadoFoto: FETHI BELAID / AFP

  • Forças especiais comemoram morte de terroristasFoto: FETHI BELAID / AFP

NOVA INVESTIDA TERRORISTA

A exemplo de outros líderes europeus, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, confirmou que há reféns franceses no local.

— Condeno este ataque terrorista realizado da pior maneira. Foram levado reféns, turistas foram afetados. Este novo ataque ilustra cruelmente a ameaça que vivemos.

O chanceler do país, Laurent Fabius, lamentou o ataque a um país que marcou a insurreição da Primavera Árabe.

— O terrorismo atinge ainda hoje, e não por coincidência, um país que representa a esperança do mundo árabe.

Desde a revolução de 2011, que tirou Zine El-Abidine Ben Ali do poder e marcou a primeira derrubada de um governo na Primavera Árabe, a Tunísia tem sofrido para conter a ação de extremistas islâmicos no país. Vários atentados deixaram grandes cifras de mortos e feridos desde então.

Milhares de tunisianos radicalizados deixaram o país para lutar ao lado de jihadistas em Síria, Iraque e Líbia, que recentemente teve mais um episódio na escalada das tensões internas: o reforço da filial do Estado Islâmico no país. Em fevereiro, o Ministério do Interior anunciou a prisão de mais de cem supostos extremistas, autoproclamados seguidores do EI.

A região do ataque em Túnis – Departamento de Arte/O Globo

 

COMENTÁRIOS

Facebook

Receba Novidades