Base já prepara reação para impedir abertura de processo contra Temer no STF

15 de setembro de 2017


A base governista já está articulada na Câmara para rejeitar o pedido de abertura do processo contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal.

O vice-líder do Governo, deputado Beto Mansur, garantiu que a base está unida e certa de que não há motivo para interromper o Governo de Temer, e Rodrigo Maia ainda não decidiu sobre os pedidos de impeachment que já estão registrados na mesa diretora contra Temer. Ele tem apoio na Câmara para evitar a abertura do processo.

Para os governistas, o presidente chega em uma situação mais tranquila a essa denúncia do que na primeira, que foi derrubada pela Câmara. O deputado Beto Mansur disse que o escândalo das delações da JBS, que estourou na semana passada, enfraquece essa acusação: “a segunda denúncia vem muito mais enfraquecida porque todos nós sabemos o que aconteceu durante a semana passada envolvendo tanta gente dentro da Procuradoria. Que, na minha visão, o plenário da Câmara está muito ressabiado”.

A Casa se transformou em seu mais forte apoio. Essa segunda denúncia vai cumprir o mesmo ritual da primeira, inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça e depois o plenário da Câmara. Para a abertura do processo são necessários 342 votos pela autorização. O que a oposição não consegue, nem mesmo com apoio de parte da base governista.

Vale lembrar que no início do ano o presidente Michel Temer, se comprometeu em afastar todo e qualquer ministro que fosse denunciado pela Justiça. “Se houver denúncia, o que significa conjunto de provas, que possam conduzir ao seu acolhimento, o ministro que estiver denunciado será afastado provisoriamente. Ao depois, se acolhida a denúncia, e aí sim a pessoa, no caso o ministro se transforma em réu, o afastamento é definitivo. Portanto faço essa declaração para dizer que o Governo não quer e não vai blindar ninguém”, disse Temer à época. Agora, que a denúncia foi feita, o discurso mudou e dentro do Governo o que se fala é que como se trata de uma “peça de ficção” não há porque o presidente manter o compromisso firmado.

O deputado Carlos Marun, da tropa de choque de Temer, considerou isso perfeitamente normal: “se o presidente disse, não disse isso no contexto que temos hoje. Que tem espirito de retaliação, espirito político e de melar as reformas”. Os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, também não dão sinais de que pretendem se afastar voluntariamente até por conta do fato de que eles perderiam o chamado foro privilegiado.

O discurso da oposição é de que a denúncia é consistente e que o Governo não chega fortalecido para enfrentar a segunda. O senador Randolfe Rodrigues acredita que a peça rebate argumentos do Governo: “os argumentos do presidente da República caem, porque é com base em uma investigação da Polícia Federal”.

Quem também comentou sobre a chegada da denúncia foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ele passou o dia na cidade de Araxá, em Minas Gerais, mas não deixou de destacar que a matéria vai afetar os trabalhos na Casa: “uma denúncia contra um presidente da República é sempre muito grave. Não tem como falar que tem duas agendas relevantes no plenário da Câmara tendo uma denúncia contra o presidente do Brasil”.

A expectativa é que a denúncia seja enviada para a Câmara na semana que vem. Assim como a primeira, ela passa primeiro pelo parecer da Comissão de Constituição e Justiça para, depois, ser votada pelo plenário.

O procurador-geral da República denunciou o presidente por obstrução de Justiça e formação de bando criminoso. Além de Temer foram denunciadas mais oito pessoas incluindo ministros, ex-ministros, ex-deputados e o grupo da JBS.

*Informações dos repórteres José Maria Trindade, Levy Guimarães e Luciana Verdolin

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