Estudo detalha lesões no cérebro de bebês com microcefalia ligada à zika

14 de abril de 2016


Grupo tenta distinguir microcefalia ligada à zika da ligada a outras infecções.
Pesquisa brasileira foi publicada na revista ‘British Medical Journal’.

Do G1, em São Paulo

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Exame de imagem revela danos cerebrais de bebês com microcefalia (Foto: BMJ 2015/ http://www.bmj.com/cgi/doi/10.1136/bmj.i1901 )

Um estudo brasileiro publicado na revista “British Medical Journal” nesta quarta-feira (13) detalhou os tipos de problemas presentes no cérebro de bebês com microcefalia relacionada à zika. Este é o primeiro estudo que faz uma tentativa de distinguir as características cerebrais de bebês com microcefalia ligada à zika daquelas observadas em bebês com microcefalia devido a outras infecções.

A pesquisa concluiu que a microcefalia ligada à zika apresenta, em geral, danos cerebrais extremamente severos, com poucas chances de um bom desenvolvimento das funções neurológicas. Uma característica que parece ser específica da microcefalia por zika é a calcificação em uma região determinada: entre a substância branca cortical e subcortical do cérebro.

A hipótese dos autores é que o vírus da zika destrói células cerebrais e forma lesões parecidas com cicatrizes, onde há depósito de cálcio.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores – vinculados à Faculdade Maurício de Nassau, AACD do Recife, Universidade de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco e Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – avaliaram 23 bebês com diagnóstico de microcefalia provavelmente associada ao vírus da zika.

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Exame de imagem de bebês com microcefalia, que revelam calcificações e malformação cortical (Foto: BMJ 2015/ http://www.bmj.com/cgi/doi/10.1136/bmj.i1901 )

As crianças nasceram em Pernambuco entre julho e dezembro de 2015. Desse grupo, 15 passaram por tomografia computadorizada, 7 passaram tanto por tomografia quanto por ressonância magnética e um passou apenas pela ressonância.

Apenas seis tiveram testes positivos para o anticorpo relacionado ao vírus da zika, mas exames descartaram outras possíveis causas de microcefalia como toxoplasmose, citomegalovirus, rubéola, sífilis e HIV.

Segundo os autores, o estudo apresenta a maior e mais detalhada série de achados de neuroimagem em crianças com microcefalia provavelmente ligada ao vírus da zika.

Entre os médicos que têm atendido pacientes com microcefalia desde que o número de casos começou a aumentar, já havia uma percepção de que esses casos de microcefalia eram distintos daqueles provocados por outros vírus, porém isso ainda não tinha sido descrito em uma publicação científica.

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